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Cinema da Amazônia rondoniense retorna a Gramado com “Maior Que a Casa Toda”
O cinema da Amazônia volta a ocupar um espaço de destaque no cenário nacional. O curta-metragem “Maior Que a Casa Toda”, dirigido por Fabiano Barros e Neto Cavalcanti, foi selecionado para a Mostra Competitiva de Curtas-Metragens Brasileiros da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado, um dos festivais de cinema mais importantes do mundo e uma das principais vitrines do audiovisual brasileiro.

Entre centenas de inscrições de todo o país, apenas 12 curtas-metragens foram escolhidos para disputar o tradicional Kikito. Desses, “Maior Que a Casa Toda” é o único representante da Região Norte, reafirmando a potência do cinema produzido na Amazônia e levando para a competição uma história sobre famílias atípicas, pertencimento, afeto e inclusão.

A seleção representa também um marco para o audiovisual de Rondônia. É a segunda vez que o estado conquista uma vaga na competição oficial de curtas do Festival de Gramado. A primeira ocorreu com “Ela Mora Logo Ali”, dirigido por Fabiano Barros, em codireção com Rafael Rogante. Agora, Fabiano retorna ao festival dividindo a direção com Neto Cavalcanti, consolidando a presença do cinema nortista em um dos mais importantes palcos do audiovisual brasileiro.
Para Neto Cavalcanti, a seleção possui um significado ainda mais especial por estar diretamente ligada à origem do filme.

“Em 2023, durante a viagem de volta de Gramado, compartilhei com o Fabiano uma ideia que já vinha amadurecendo. Aquela conversa o inspirou a escrever o roteiro de Maior Que a Casa Toda. Retornar agora ao festival com esse filme é a concretização de um sonho que começou naquela viagem.”
Além da conquista artística, a seleção reforça a importância das políticas públicas de incentivo à cultura para a descentralização da produção audiovisual brasileira. O curta foi realizado por meio da Lei Paulo Gustavo, iniciativa do Governo Federal operacionalizada em Rondônia pela SEJUCEL, e integra um movimento de fortalecimento do audiovisual na região impulsionado também pela Lei Aldir Blanc.

Produzir cinema na Amazônia continua sendo um grande desafio. As distâncias geográficas, os elevados custos logísticos, as dificuldades de deslocamento, a limitação da infraestrutura técnica e a necessidade constante de formação profissional fazem com que cada produção demande um esforço coletivo muito maior do que nos grandes centros produtores.
Para Fabiano Barros, a presença do filme em Gramado evidencia que o principal obstáculo para o crescimento do cinema amazônico nunca esteve na capacidade de seus realizadores, mas na ausência histórica de investimentos.
“Existe uma importância política e social muito grande quando obras da Região Norte chegam aos principais festivais nacionais e internacionais. Isso demonstra que nossos realizadores sempre tiveram capacidade para produzir cinema de qualidade. O que historicamente faltou foi investimento. Leis como a Paulo Gustavo e a Aldir Blanc mudaram essa realidade ao permitir que histórias produzidas na Amazônia encontrassem condições para serem realizadas e alcançassem grandes festivais. Quando há financiamento, o cinema da Região Norte responde com criatividade, identidade e excelência.”
O elenco reúne Regina Coeli, que interpreta Dália, e Agrael de Jesus, no papel de Nanã. A história acompanha ainda os irmãos Dudu, interpretado por Yan Sembarski, e Luquinha, vivido por Kel do Vale, personagens que conduzem uma narrativa sensível sobre amor, pertencimento e os desafios enfrentados por famílias atípicas.
“Maior Que a Casa Toda” é uma produção da Conexão Norte Produções, com distribuição da Pique Filmes. A produção executiva é assinada por João Leão e Emilly Lamarão, responsáveis por acompanhar o desenvolvimento e a viabilização do projeto.
A estreia mundial do curta acontecerá durante o 54º Festival de Cinema de Gramado, entre os dias 12 e 22 de agosto, quando disputará o Kikito ao lado de outras onze produções brasileiras.
Longe dos estereótipos e da fetichização da paisagem amazônica, “Maior Que a Casa Toda” reafirma a potência de histórias contadas por quem vive a região, revelando uma Amazônia marcada por pessoas, afetos e vivências, e não apenas por imagens que historicamente moldaram o imaginário sobre esse território.
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